Pão caseiro com aroma e sabor de infância.

Comparada aos tempos atuais, considero que tive uma infância privilegiada.

Fui criança até beirando os 15 anos.

Olha a prova, tinha 15 anos nessa foto.
Olha a prova, tinha 15 anos nessa foto.

Saía pra brincar na rua apenas com a recomendação de voltar antes do anoitecer…

Tinha muitos amigos, mas não videogames, TV com 140 canais, telefone celular, internet…

Se algum colega repetia de ano ele simplesmente refazia a série, tomava uma surra dos pais, e não precisava de psicólogos, muito menos de ritalina…

Andei de patins e de bicicleta sem capacete e nem por isso tive traumatismo craniano… viajei em automóveis que não tinham cinto de segurança e na carroceria aberta desviando de galhos de árvore… uma aventura e tanto!

Tomei água de rio, da mangueira do quintal, da chuva, do copo compartilhado no bebedouro da escola (aqueles de alumínio que ficavam presos com uma correntinha)…

Colecionei papéis de carta…

Minha mãe ainda guarda essas relíquias.
Minha mãe ainda guarda essas relíquias.

Depois de várias infestações de piolhos, quando nem o bolfo ou o neocid davam conta, ostentei corte de cabelo “surfista”…

??!!
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Mais ou menos isso. Detalhe: minha mãe era a cabeleireira da família. Êta muié prendada!

Era obrigada a respeitar os mais velhos, pedir a bênção sempre ao acordar, passar longe das conversas de adulto, comer toda a comida do prato, especialmente quando éramos visitas na casa de alguém, a dormir antes das 20h e jamais assistir novelas ou filmes que não fossem estritamente infantis. E mais, nunca ousei chamar meus pais ou qualquer pessoa mais velha de VOCÊ…

Já apanhei de vara de goiaba, de chinelo, de cinto, e nunca ameacei chamar o conselho tutelar… e também auxiliava materialmente minha mãe quando ela queria disciplinar meus irmãos (Priscila!!!! Vá colher uma vara pra mim!! E aiiiii de você se essa vara quebrar rápido!!)…

As escolas tinham dois turnos, manhã OU tarde, por isso fazia todas as refeições em casa, com a TV desligada e a família reunida.

Enfim, parece impossível, mas mesmo depois dessa infância de risco, sobrevivi muito bem obrigada!

Além disso, como já contei por aqui, minha mãe é uma cozinheira e tanto, toda semana ela fazia pão caseiro com fermento natural, leite direto da vaca e ovos das galinhas do quintal. Quando saía do forno quase explodia de tanto comer.

E também rolavam bolachas de araruta, cuecas viradas, bolinhos de chuva, bolos deliciosos, cucas gaúchas. Acho que vem daí minha  tara por qualquer tipo de massa.


Final de semana estava nostálgica , o sabor do pão caseiro quentinho com manteiga derretendo veio na boca, não aguentei e #partiucozinha.

A receita é simples, mas deve ser contemplada. É preciso desacelerar para aguardar a ação milagrosa do fermento, no tempo certo. Um exercício de paciência, uma terapia.

PÃO CASEIRO  (rende 2 pães médios)
500g de farinha de trigo
45g de fermento biologico fresco
300ml de água morna (não quente)
3 colheres de sopa de açúcar
1 colher de chá de sal
5 colheres de margarina ou manteiga

Preparo:

Esponja: misturar o fermento com a metade da água, uma colher de açúcar e um pouco da farinha de trigo até formar uma massa mole. Deixar levedar em vasilha coberta com um pano por 40 minutos ou até espumar (se você não mora em Cuiabá, pode deixar descansar no forno para assegurar que a massa não leve um golpe de ar frio).

esponja_pao

Acrescentar o restante dos ingredientes, mas não toda a água de uma vez. Vá intercalando o trigo e a água até obter uma massa macia, mas que não grude nas mãos. Desconte toda a sua raiva e sove bem a massa, até que fique bem homogênea.

Deixe a massa descansar coberta, por uma hora ou até dobrar de volume.

 massa_pão

Sovar a massa novamente – quanto mais, melhor – e dividi-la em duas ou quatro partes (eu dividi em quatro pães pequenos). Modelar os pães a seu gosto (podem ser bolinhas, ou esticar a massa com rolo e enrolar).

modelando_pão

Deixar crescer mais um pouco e assar em forno pré-aquecido a 180º , em forma untada com óleo, até ficar dourado.

pão_saindo_forno pão_manteiga

Depois de assados os pães podem ser congelados por uns 3 meses. Para descongelar, basta tirar na noite anterior que terá pão fresquinho para o café da manhã.
E essa postagem escrevi enquanto estava dando “um tapa” no visual, na cadeira do salão.
Aproveitando o tempo ocioso com “blogterapia”!
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